American Life

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American Life é o nono álbum de estúdio da artista musical americana Madonna. O seu lançamento ocorreu em 21 de abril de 2003, através das gravadoras Maverick e Warner Bros. Produzido inteiramente pela própria intérprete e Mirwais Ahamdzaï (com o auxílio de Mike "Spike" Stent em duas faixas), o disco apresenta múltiplas referências à cultura americana. É considerado um "álbum conceitual", em que seus temas mais recorrentes são o sonho americano e o materialismo. Estes temas rejeitam a imagem de Madonna como uma garota materialista, que foi bastante popular na década de 1980. Musicalmente, American Life é um álbum de folk, com elementos derivados da música eletrônica. Também possui influências de música acústica, em diversas faixas.

Críticos de música contemporânea deram revisões mistas para o álbum, dos quais prezaram a ousadia de Madonna em lançar um álbum pop numa época em que o R&B dominava a música mundial; no entanto, outros negativaram sua produção, bem como suas letras consideradas "pesadas", e foi o segundo álbum da artista a conter o adesivo Parental Advisory. O disco teve um desempenho exitoso, liderando tabelas musicais em catorze países, como a Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, França e Itália. Nos Estados Unidos, American Life converteu-se no quinto álbum de Madonna (sendo seu segundo consecutivo a estrear na liderança) a conquistar a posição máxima da tabela de álbuns Billboard 200, vendendo duzentas e quarenta mil unidades em sua semana de lançamento. No entanto, as vendas em sua semana seguinte foram reduzidas em 63%. A Recording Industry Association of America (RIAA) e a British Phonographic Industry (BPI) certificaram o projeto como platina, denotando vendas superiores a um milhão de cópias em território americano e trezentas mil unidades no Reino Unido, respectivamente. Tornou-se o trigésimo segundo disco mais adquirido de 2003 e comercializou cerca de cinco milhões de réplicas mundialmente.

Para promover American Life, foram lançados quatro singles. O primeiro foi a faixa-título, que foi universalmente recebida de maneira negativa pela crítica especializada; a revista Blender listou-a como a décima pior canção de todos os tempos. Alcançou o número trinta e sete na tabela americana e qualificou-se entre as dez músicas mais executadas em diversos países. Seu vídeo musical retratou um desfile com temática militar "anti-moda", mas sua estreia foi cancelada devido à violência contida. Foi então produzido um segundo vídeo musical, que apresenta Madonna cantando em frente a bandeiras de várias nações. "Hollywood" foi o segundo foco de promoção do projeto, e tornou-se a primeira canção da cantora a não atingir a Billboard Hot 100 desde "Holiday". "Nothing Fails" e "Love Profusion" foram os últimos dois singles de American Life mas tiveram baixo desempenho comercial, embora tenham atingido o topo da tabela musical espanhola. Entretanto, os quatro singles do álbum atingiram a primeira posição da parada de canções dance.

Para promover ainda mais o disco, a intérprete apresentou-se na pequena turnê American Life Promo Tour e nos Prêmios MTV Video Music de 2003, sendo que, nesse último, Madonna dividiu o palco com as artistas Missy Elliott, Britney Spears e Christina Aguilera e juntas interpretaram "Like a Virgin", "Hollywood" e "Work It". Durante a apresentação, Madonna beijou as duas últimas na boca, gerando grande repercussão na mídia e junto ao público. No ano seguinte, ela excursionou com a turnê Re-Invention, que arrecadou cerca de 125 milhões de dólares e tornou-se a digressão com maior arrecadação do ano de 2004. Foi registrada no documentário I'm Going to Tell You a Secret, cujo álbum de mesmo nome tornou-se o primeiro álbum ao vivo da carreira de Madonna.

No início dos anos 1990, Madonna se concentrou em trabalhos com temáticas sexualmente provocantes, como o livro de imagens eróticas Sex, seu álbum inspirado no sadomasoquismo Erotica e no filme de terror erótico Body of Evidence, todos esses lançamentos levaram a críticos e fãs a acreditarem que ela tinha ido "longe demais" e que sua carreira estava em declínio.[1] Entretanto, com o lançamento do aclamado álbum Ray of Light (1998) e o sucesso crítico e comercial do filme The Next Best Thing (1999), a cantora tornou-se mais calma, introspectiva e completa com seu marido, o diretor britânico, Guy Ritchie e seus filhos Lourdes e Rocco. De acordo com o biógrafo J. Randy Taraborrelli, a chegada de Ritchie trouxe um efeito calmante sobre a cantora, tornando-a uma pessoa mais matura e menos temperamental.[1]

Focada em sua carreira musical, a intérprete deu início à turnê Drowned World Tour (2001), que tornou-se a maior bilheteria de 2001 de um artista solo e a quarta em geral.[2][3] Em 11 de setembro do mesmo ano dois aviões comerciais foram sequestrados por membros do grupo terrorista Al Qaeda que os lançaram deliberadamente contra o World Trade Center, causando mais de três mil mortes.[4] O trágico evento causou um efeito profundo na sociedade americana; vários estabelecimentos comerciais do país foram fechados, a bolsa de valores registrou queda financeira, e a desolação e a paranoia tomaram conta do clima cultural dos Estados Unidos. Pessoas, incluindo a própria Madonna, levantaram questões a respeito do sonho americano, que havia sido idealizado por muitas pessoas há diversos anos.[5] Quando iniciou a concepção de seu nono álbum, a cantora procurou respostas para suas dúvidas e uma adequada explicação para os ataques de 11 de setembro de 2001 e a consequente Guerra do Iraque.[5] Ela acreditava que os meses seguintes com a guerra levariam a uma atmosfera politicamente carregada em todo o país, e queria expressar isso em seu álbum.[5]

Assim como em seu oitavo álbum de estúdio, Music (2000), Madonna contou com a ajuda do disco-jóquei (DJ) e produtor francês Mirwais Ahmadzaï. Sempre interessada em adaptar a sua música às composições contemporâneas, a artista inspirou-se nos novos álbuns de Massive Attack e Lemon Jelly.[6] Madonna explicou dizendo: "Nós nos preparamos para juntar os dois mundos, o da música acústica e o da eletrônica", e adicionou: "É mais um passo... Eu não quero me repetir ou fazer o mesmo disco duas vezes".[6] American Life foi o último álbum de estúdio da intérprete lançado sob o selo Maverick, marcando o fim de um contrato de onze anos com a gravadora.[7][8] Durante uma entrevista para o canal VH1, intitulada Madonna Talks, a cantora discutiu sobre seus 20 anos na indústria musical e revelou as motivações por trás de American Life e sobre a importância dada pelo homem às "coisas materiais". Ela concluiu dizendo: "Eu tenho muitas 'coisas materiais' e tive muitas crenças sobre isso e sobre o que é importante. Eu olhei para eu mesma a 20 anos atrás e percebi que muitas coisas que eu valorizava não tem importância".[9] Discutindo seus pensamentos durante a concepção do álbum, a intérprete explicou à revista Q sobre como os seus 20 anos de permanência na indústria musical a fizeram ter uma opinião correta sobre a fama, a fortuna e os perigos da vida pública e que isso seria refletido em seu novo trabalho.[6]

Quando Madonna começou a escrever as músicas para o projeto ela foi inspirada por diferentes situações, como quando ela tinha uma ideia durante suas aulas de violão ou às vezes quando Ahmadzaï a enviava um modelo para ela sem a progressão harmônica básica. Todos os temas de American Life foram compostos e escritos dessa maneira.[6] Explicando o processo de escrita do disco à revista Q, a cantora disse: "A música tem de sacudir o meu cérebro em termos líricos. Às vezes eu escrevo versos livremente. Eu tenho um diário onde eu anoto minhas ideias concebidas [com base] em jornais e livros".[6] Madonna também lembrou-se do pessimismo existente em Ahmadzaï sobre as condições da sociedade ao seu redor e as longas discussões que tinham à noite e como isso acabou sendo refletindo na composição das faixas devido a ansiedade que sentiam.[5] O disco foi considerado um "álbum conceitual" com temas baseados na situação política dos Estados Unidos. Madonna explicou que ela sentiu que o país "mudou ao longo dos anos e que muitos dos nossos valores parecem ter uma orientação material e tão superficial. E todos parecem estar obcecados com a fama a todo custo, não importava se para isso tiver que — por exemplo — vender a alma ao Diabo, se for necessário". A cantora lembrou que todos esses julgamentos e reflexões haviam sido impressos na composição das três primeiras faixas do disco, que são a faixa-título, "Hollywood" e "I'm So Stupid".[10] John Norris, da MTV, descreveu as canções como uma trilogia e um indicador da reavaliação da vida de Madonna e as coisas que ela queria deixar no passado. Madonna concordou em partes, dizendo que as faixas são extensões umas das outras e que retratam seu desejo de dar importância a coisas mais dignas além do dinheiro e de como ela poderia sair dessa "ilusão".[10] A cantora discutiu os temas materialistas do álbum e seus encontros pessoais que levaram a composição da obra à MTV, dizendo:

O mundo glamoroso de Hollywood também é refletido no conteúdo lírico do projeto, principalmente na faixa título. Descrevendo a música como uma metáfora, a cantora observou que "em Hollywood, você pode perder sua memória e sua visão do futuro. Você pode perder tudo até a si mesmo".[11] O começo do álbum descarta o que não é importante para a artista, de modo que Madonna foi capaz de se concentrar no que importa. Assim, em contraste com as três primeiras canções do álbum, as outras músicas de American Life lidam com questões mais pessoais da cantora, como por exemplo o seu relacionamento com seus pais em "Mother and Father".[10] Quando a intérprete tinha seis anos sua mãe morreu de câncer de mama, e segundo Madonna, a faixa foi "uma maneira de abandonar a tristeza e seguir a vida".[6] De acordo com a escritora Lucy O'Brien, autora de Madonna: Like an Icon, outro conceito de American Life foi o "nada".[12] Isto ficou evidente nos títulos de canções como "Nobody Knows Me", o uso do "não" em "Love Profusion", bem como em "Nothing Fails".[12] Usando um tom negativo, Madonna conseguiu ser sarcástica com as suposições do público sobre ela e enfatizar seu conhecimento de romance.[12] Entretanto, as faixas "Nothing Fails", "Intervention" e "X-Static Process" foram as peças centrais para tornar o álbum "tríptico", bem como as canções de amor feitas para Guy Ritchie, marido de Madonna na época.[6] Começando com uma faixa humilde que o produtor e músico Guy Sigsworth escreveu para sua esposa, "Nothing Fails" também possui letras da cantora Jem Archer — creditada como Jem Griffiths nos créditos do disco —, que foi convidada a colaborar com a intérprete e Sigsworth nas primeiras sessões de elaboração de American Life.[13] A lista de faixas é seguida pelas faixas "Intervention" e "X-Static Process", inspiradas pelo folk de Joan Baez; ambas são reflexivas e emocionais.[14] A atmosfera reflexiva continua na última música, "Easy Ride", inspirada pela imagem do ciclo da vida. As letras da canção abordam o sentido da existência da vida para a intérprete.[10]

American Life foi totalmente produzido por Madonna e Mirwais Ahmadzaï — com o auxílio de Mike "Spike" Stent em duas faixas —, sendo a maior parte das canções compostas por ambos. Madonna e Ahmadzaï haviam colaborado no álbum antecessor à American Life, Music (2000).[15] As sessões de gravação da obra começaram em 2001 mas foram suspensas após a cantora estrelar o filme Swept Away e a peça Up for Grabs. Ela retornou para os estúdios Olympic Recording e Sarm West no final de 2002 e terminou as sessões em Londres e em Los Angeles no início de 2003.[16][17][18] Para a instrumentação contida em algumas músicas, Ahmadzaï tocou as guitarras e Stuart Price tocou piano. Tom Hannen e Simon Changer trabalharam na assistência de engenharia em todas as sessões de gravação do disco.[17]

Ao contrário de Music, Madonna chamou Ahmadzaï para trabalhar como compositor, portanto, a cantora pode se adaptar ao estilo e ao som dos produtores.[19] Ahmadzaï explicou que existia algumas influências de seu trabalho mas a intérprete queria principalmente uma estrutura minimalista para o disco. Isto trouxe benefício para ele pois Ahmadzaï não gostava de trabalhar com muitas pessoas nos álbuns que produzia, para criar uma colaboração mais próxima. Uma vez que a música eletrônica estava popular, Ahmadzaï sentiu que era necessário retornar às suas raízes underground e estar concentrado nas composições, em vez dos aspectos técnicos de gravação e mixagem do álbum.[19] Descrevendo-o como uma composição modificada, ele disse que embora o conceito "pudesse parecer simples à primeira vista, até mesmo 'grosseiro'. Mas se você prestar bastante atenção, há muita tecnologia por baixo".[19] Essa abordagem foi imperativa para American Life. Gravado em dois estúdios diferentes, utilizando a própria engrenagem de Ahmadzaï junto com os consoles de mixagem SSL do estúdio, o processo de gravação da obra era muitas vezes meticuloso, mas não tão intenso em termos de arranjos.[19] Durante um entrevista para a revista Remix, Ahmadzaï falou sobre a composição das músicas e comentou que eles "tentaram produzir minimamente muitas faixas para fazer com que elas pareçam ásperas, ao contrário da produção normal do pop internacional. Queríamos fazer algo moderno e totalmente futurista, mas não muito aparente. Você tem que ser muito minimalista e escolher cada som cuidadosamente. Algumas canções foram compostas em grande estúdio; isso pode ser muito perigoso, pois você pode perder sua perspectiva. Mas todas as bases iniciais das melodias foram feitas no estúdio da minha casa".[19]

American Life é repleto de técnicas de produção características de Ahmadzaï, como vocais e instrumentos gaguejantes, tons oscilantes que lembram as pulsações dos sonares dos anos 1950, vocais morphing compostos por grunhidos, guinchos e tratamentos que fazem as canções serem congeladas entre os ritmos.[19] O produtor esperava que a gagueira se tornasse uma prática comum no mundo das gravações do futuro. Ele acreditou que as pessoas pensassem que não fosse natural pular e gaguejar a música; contudo, isto foi usado para criar um novo ritmo. Com a ajuda de Pro Tools, Ahmadzaï congelou o áudio em pontos que ele queria alterar o ritmo da faixa.[19] Madonna falou sobre a gravação da música-título afirmando que Ahmadzaï encorajou-a a fazer rimas espontaneamente sobre os objetos materialistas que ela estava usando e fazendo.[10] Eles tinham uma ruptura instrumental em "American Life", onde Ahmadzaï incentivou Madonna a adicionar rimas sobre sua vida cotidiana. A cantora acrescentou: "Eu sempre bebia café com leite de soja, enquanto dirigia meu Mini Cooper até o estúdio e pensava tipo 'OK. Me deixe falar sobre as coisas de que eu gosto'. Então eu fiz isso e foi uma improvisação total e, obviamente, deu errado no começo, mas consegui organizar todos os meus pensamentos, escrevi-os e depois os refinei com o tempo. Então ficou totalmente espontâneo".[10]

Para "Hollywood", Ahmadzaï usou um kit de tambores e percussões a partir de sons do emulador E-mu; tambores extras também foram adicionados para dar uma vibração de discotecas antigas.[19] Para obter um forte som grave de sintetizador, ele utilizou o sintetizador Nord Lead, que possuía diversos jeitos de filtragem. Entretanto, o produtor enfrentou problemas com o instrumento, e teve de terminar a canção com um mixer Yamaha O2R.[19] Ele não queria que o resultado final de "Hollywood" soasse como uma música feita para as boates, e teve que gravar os vocais da cantora utilizando um efeito compressor em seus fones de ouvido.[19] Foram utilizadas duas máquinas para a edição vocal de "Hollywood". Madonna preferiu utilizar o plug in do Auto-Tune Antares, enquanto Ahmadzaï preferiu usar um Pitch Shifter AMS.[19] A cantora preferiu usar Auto-Tune porque queria que "Hollywood" soasse como uma música dançante, embora Ahmadzaï fosse contra.[19] A faixa "I'm So Stupid" teve vocais suaves. O canto de Madonna foi congelado através de um Roland VP-9000. Na parte em que ela grita "Aaaaaahhhhhh", os vocais e o processo de congelamento soam naturalmente; contudo, não foram gravados desta maneira.[19] Quando Ahmadzaï adicionou as batidas à canção, ele experimentou a programação dos tambores em Logic Pro e alterou o tempo das batidas. O produtor combinou diferentes amostras de faixas que ele havia produzido anteriormente, e continuou tentando até que algo novo fosse desenvolvido.[19] A mixagem de todas as faixas do disco foi feita por Mike "Spike" Stent no estúdio Westlake Recording em Hollywood, Califórnia, enquanto Tim Young fez a masterização das canções no estúdio Metropolis em Londres.[17] Michel Colombier fez o arranjos de cordas, enquanto Geoff Foster assumiu a engenheiria de cordas no AIR Studios.[17]

"[A canção] 'Mother and Father" é [como] uma maneira de me libertar da dor causada pela morte da minha mãe, mas sem me colocar em uma medalha para encontrar o meu caminho na vida sem sequer pedir a compaixão, apenas porque eu passei por um momento difícil. Não usando [a canção] como [uma forma de] desculpa, [mas] como (...): 'Eu sou rebelde porque eu tinha sofrido um tempo difícil quando eu era uma criança'. Todas essas desculpas são um lixo, porque no final você tem que ser responsável por suas próprias ações".

Musicalmente, American Life consiste de faixas predominadas pelos gênero folk, fundindo elementos da música eletrônica. Também possui influências da música acústica em diversos números. Sal Cinquemani, da revista Slant, notou a influência do primeiro gênero citado argumentando que "American Life é um álbum folk na mais pura definição do termo e isso se reflete [até] no próprio título".[20] Greg Kot, periodista do Chicago Tribune, chamou o disco de um "álbum electro-folk, com batidas eletrônicas e toques sintéticos".[21] Chuck Arnold, da Billboard, descreveu a sonoridade do trabalho como "folktronica",[22] enquanto Ben Ratliff, em sua crítica à Rolling Stone, descreveu o som do material como um "eurotechno diluído".[23] Jon Pareles, escrevendo para o The New York Times, caracterizou o produto como uma "mistura de palhetas acústicas, baterias eletrônicas e linhas de sintetizadores agitados e vibrantes", acrescentando que "a guitarra sinaliza a sinceridade de uma cantora e compositora, enquanto todos os aparelhos adicionam a pegada retro da música synth-pop agora sendo revivida sob o nome de electroclash".[24] A faixa-título é a canção que abre o álbum. Inicia-se com a voz de Madonna perguntando nas linhas; "Deveria mudar o meu nome? / Isto vai me levar a algum lugar? / Deveria perder peso? / Eu vou seu uma estrela?",[n 1] as letras seguem-se com uma "reclamação sobre o dia-a-dia moderno", segundo Rikky Rooksby, autor de The Complete Guide to the Music of Madonna.[25] A letra é acompanha por sons de um "sintetizador energético de oito batidas" sincronizada com os ritmos de bateria e baixo. Após três minutos, Madonna adiciona um conjunto de rimas improvisadas falando sobre os profissionais que trabalhavam para ela.[25] "Hollywood", segundo single do álbum, é a faixa seguinte. A música se inicia com cantos de pássaros antes de ser introduzida uma sequência de quatro acordes de uma guitarra acústica, cuja interpolação tem sido comparada a canções do grupo Red Hot Chili Peppers.[26] A música continua com a adição de baterias, sons eletrônicos e sintetizadores, até que depois de um minuto, estes sons são trocados pela voz de Madonna e de uma guitarra acústica. Nesta parte, a cantora diz; "Todo mundo vem para Hollywood / Eles querem se dar bem na vizinhança / Eles gostam do cheiro de Hollywood / Como poderia te machucar se parece tão bom?".[n 2][26] Tal como na faixa anterior, uma das sequências finais da canção apresenta a intérprete orientando; "Aperte o botão, não aperte o botão / Troque de estação, mude de canal".[n 3] Liricamente, esta faixa discute a cultura americana em que o foco principal é o bairro de Hollywood, na Califórnia, que é retratado como um local de pessoas famosas e da realização de sonhos.[26]

"I'm So Stupid" é a terceira faixa do álbum. Apresenta uma introdução de dois acordes que leva a uma seção ligeiramente percussiva e, em seguida, a guitarra muda para três acordes. A composição continua sendo menor;[26] entretanto, no minuto 2:15, diferentes sintetizadores agudos se alteram loucamente, e, no final, tornam-se menos proeminentes e a guitarra torna-se novamente o instrumento principal.[26] Liricamente, a canção aborda a desilusão da intérprete em linhas como; "Eu vivia em um sonho confuso"[n 4] e "Foi apenas ganância";[n 5] Madonna também proclama que a usaram para ser "Mais estúpida do que estúpida"[n 6] antes de afirmar que "Todo mundo é estúpido"[n 7] no final da faixa. Quarto single do álbum, "Love Profusion" é a quarta música do disco, que começa com outra introdução ao violão, com um ritmo produzido por bumbos, cordas e sintetizadores sendo posteriormente adicionados à medida que a música avança.[27] Vocalmente, a linha; "Eu tenho você debaixo da minha pele"[n 8] é repetida diversas vezes, enquanto uma voz masculina é utilizada como vocal de apoio, com as palavras finais; "sinto bem"[n 9] sendo interpretadas sem o apoio instrumental.[27] A quinta obra, "Nobody Knows Me", é caracterizado pelo uso do vocoder na voz da intérprete. Sua instrumentação é acompanhada por sintetizadores que emitem bipes e percussões em uma determinada parte. O título é repetido constantemente quando a cantora faz referência a alienação social.[27] Um tema recorrente em American Life é a introdução de violão nas canções, que é destaque mais uma vez na sexta faixa do disco, "Nothing Fails".[27] A guitarra é acompanhada por uma seção de tambores "iluminados", com a voz de Madonna em baixa frequência. A canção também apresenta um violoncelo na primeira parte e um coral de igreja na segunda parte.[27] Liricamente, aborda uma protagonista dizendo a seu amante que ele é o único e que o encontro deles não foi um acaso. A referência à "árvore da vida" é feita durante a linha em que Madonna afirma; "Eu não sou religiosa",[n 10] mas ela deseja rezar.[27]

Violões iniciam a sétima obra, "Intervention". O número começa com uma sequência menor de três acordes, que muda para quatro durante o refrão, para abrir caminho para uma seção de baixo em seu final.[27] Liricamente, a canção é otimista e fala como um relacionamento pode durar, com a intérprete dizendo; "A estrada parece solitária, mas isso é apenas o jogo de Satanás".[n 11][27] A oitava música do disco é "X-Static Process", também se inicia com violões e ao longo da melodia, as vozes são ouvidas em harmonia, além de conter uma seção de órgãos.[28] Liricamente, tal como a faixa-título, suas letras questionam a vida moderna, com Madonna cantando; "Jesus Cristo, você olha para mim? Eu não sei quem eu devo ser".[n 12][28] "Mother and Father" é a nona canção a ser apresentada, e contém um tambor e um ritmo baixo emparelhado, com uma guitarra elétrica estando presente no instrumental.[28] Liricamente, a canção reflete a infância da intérprete, incluindo a morte de sua mãe e sua relação posterior com seu pai, bem como os efeitos sobre o relacionamento deles; a faixa foi comparada com "Oh Father", que também trata do mesmo assunto.[28] A penúltima música, "Die Another Day", canção-tema do filme homônimo. Apresenta violões e guitarras em toda a sua composição.[29] American Life termina com "Easy Ride", uma canção orientada por cordas. Aqui Madonna revela seus sentimentos em relação à velhice, dizendo querer viver para sempre e alcançar um ponto em sua vida em que possa se sentir confortável.[28]

Em 2003, Madonna sugeriu estar em um estado de espírito revolucionário, levando a imprensa a especular sobre uma possível mudança de estilo.[30] Enquanto ainda estava se recuperando do fracasso comercial do filme Swept Away, a cantora passou a aparecer publicamente usando trajes militares, inspirados nas fotografias do guerrilheiro argentino Che Guevara.[30] A equipe francesa de design M/M Paris (Michael Amzalag e Mathias Augustyniak) foi responsável pela capa de American Life. A dupla é conhecida por suas colaborações com outros músicos, e Madonna os contratou após discutir o conceito com eles por apenas seis minutos.[31][32] A sessão de fotos para o disco foram feitas em janeiro de 2003 pelo artista Craig McDean em Los Angeles, e custaram cerca de 415 mil dólares.[33] McDean já havia trabalhado com a cantora na capa da edição de outubro de 2002 da revista Vanity Fair; na qual também apresentava uma temática militar, com Madonna posando em panos escuros de cor verde e preto, além de botas de combate e armas.[33]

Assim como na contracapa do álbum Like a Prayer (1989), o cabelo da cantora foi tingido de castanho escuro para significar "seriedade", e na capa do álbum, Madonna usa uma boina enquanto ressuscita a famosa imagem de Guerrilheiro Heroico de Guevara.[33] Em uma entrevista à revista Veja, ela disse: "Isso vale para o álbum todo: no atual momento, eu me sinto num estado mental revolucionário", e descreveu Guevara como "um ícone instantaneamente identificado com um espírito de revolucionário".[34] Em seu livro Madonna's Drowned Worlds: New Approaches to Her Subcultural Transformations, Santiago Fouz-Hernández escreveu que a inclusão de Guevara como uma inspiração para a capa foi um dos muitos exemplos em que Madonna incorpora a identidade latino-americano, bem como a subcultura hispânica em seu trabalho.[35] Por causa da temática militar, seu cabelo tingindo e sua composição artística, Madonna foi comparada com uma foto infame da herdeira jornalística de setenta anos Patty Hearst, após seu sequestro em 1974.[36] A capa também continha um tipo de letra estilizado em estilo militar. As palavras "American Life" foram escritas na cor vermelha — de sangue — e tem um estilo punk-rock.[33][37] Dentro do encarte do CD, Madonna carrega uma metralhadora Uzi e faz várias poses de artes marciais, soletrando seu nome.[33] No final de 2003, ela removeu a imagem militar por completo, e seguiu com outra imagem sutil e de tom baixo, como a de um escritor ou de filantropo.[30]

Em uma entrevista com Larry King feita em 10 de outubro de 2002, a cantora disse que queria dar ao disco um nome hebraico. Ela considerou Ein Sof, que significa infinito, como um possível título para o álbum.[16][38] Entretanto, como o passar dos meses, o tema do projeto não abordava a meditação e sim a dificuldade de levar uma vida espiritual sendo uma artista mundialmente conhecida; com isto, o título foi mudado para Hollywood, dizendo ser "um reflexo do meu estado espiritual e uma visão do mundo atual". Mesmo assim, ela não ficou satisfeita com o nome, e decidiu intitular o disco de American Life.[39]

American Life é o segundo álbum de Madonna a conter um selo Parental Advisory depois de Erotica (1992), devido a palavrões usados na faixa-título.[40] O disco foi lançado nos Estados Unidos em 22 de abril de 2003, e oito meses depois, a Warner Music France lançou um box set contendo o álbum e a compilação de remixes Remixed & Revisited em uma caixa de papelão lançada apenas na França, intitulada Édition Spéciale 2CDs: American Life + Remixed & Revisited.[41][42] Para combater os downloads ilegais das músicas do disco, tanto antes quanto depois do lançamento da obra, os associados de Madonna criaram uma série de arquivos MP3 falsos com duração e memória similar. Alguns desses arquivos continham uma breve mensagem da cantora dizendo "Que diabos você pensa que está fazendo?", seguida por minutos de silêncio.[43] No entanto, a página de Madonna foi invadida pouco antes do lançamento de American Life, e o invasor adicionou uma mensagem que apareceu na página principal, dizendo "É isto que penso que eu estou fazendo", seguida por links não-oficiais para baixar cada uma das canções do álbum.[43][44] A página foi fechada por cerca de 15 horas após a invasão.[44] Liz Rosenberg, assessora da cantora, disse ao The Smoking Gun que a desfiguração era na verdade um truque, e não uma jogada de publicidade. A desfiguração estava ligada a Phrack, uma revista on-line de invasores cujos representantes esclareceram que eles não "têm (qualquer) ligação com esses (invasores) de qualquer maneira, e nós nem sequer sabemos a sua identidade".[43] A página, então invadida, também continha uma referência depreciativa para a Digital Millennium Copyright Act (DMCA), lei federal americana que visa reprimir a pirataria digital e on-line. Além disso, a página invadida incluiu uma falsa proposta de casamento para Morgan Webb, apresentador de um programa diário de tecnologia chamado The Screen Savers.[43]

Após o lançamento do álbum, Madonna iniciou uma pequena turnê chamada American Life Promo Tour. Em uma destas apresentações, feita nos estúdios do programa televisivo Total Request Live em Nova Iorque, foi transmitida na MTV sob o nome Madonna on Stage & On the Record. No show, apresentado por Carson Daly, a cantora apresentou sucessos antigos e faixas de American Life e respondeu perguntas da plateia.[45][46] A artista também se apresentou na loja HMV em Oxford, em um espetáculo restrito para 500 pessoas.[47] Outra apresentação foi feita na Tower's Fourth Street em Manhattan para cerca de 400 pessoas.[48] Foi construído um palco que contava com longas cortinas escuras e alto-falantes. De acordo com a Billboard, cerca de mil fãs puderam ver o show de perto.[48] Em 27 de agosto de 2003, Madonna abriu a vigésima edição dos Prêmios MTV Video Music cantando um medley de "Like a Virgin" e "Hollywood" com as cantoras compatriotas Britney Spears e Christina Aguilera; a apresentação contou com a participação da rapper Missy Elliott, que apresentou "Work It".[49] Homenageando a apresentação de "Like a Virgin" feita por Madonna na primeira edição da cerimônia, Spears surgiu no palco em um enorme bolo de casamento e cantou os primeiros versos da faixa. Aguilera apareceu atrás da estrutura e interpretou o refrão da canção junto com Spears. Em seguida, Madonna surgiu de dentro do bolo e apresentou "Hollywood". No meio da performance, Madonna beijou Spears e Aguilera na boca. Após isso, Elliot cantou "Work It". Esta apresentação é considerada a melhor já realizada na história da premiação, bem como um dos momentos mais infames da história do canal.[49] No mesmo ano, a cantora havia planejado em lançar uma caixa comemorativa aos seus 20 anos de carreira, bem como 20 anos do lançamento de seu álbum homônimo.[50] Entretanto, isto foi cancelado e ela lançou um álbum de remixes, intitulado Remixed & Revisited. A compilação apresenta quatro faixas de American Life remixadas, a apresentação no Prêmio da MTV de 2003 em áudio, uma mistura de "Hollywood" e "Into the Groove", intitulada "Into the Hollywood Groove", que conta com a participação de Missy Elliott, e ainda uma faixa inédita, "Your Honesty", descartada do sexto álbum de estúdio de Madonna, Bedtime Stories (1994).[51] Ainda no mesmo ano, a cantora colaborou com o fotógrafo Steven Klein em um projeto de instalação de arte, chamado X-STaTIC PRo=CeSS. A instalação retratou Madonna em diferentes locais e aspectos, como a profeta de ioga, a rainha do surto e uma dançarina de pole dance.[52] Foi um sucesso mundial, o que levou a ter exposições em Nova Iorque, Londres, Paris, Düssseldorf, Berlim e Florença.[53]

Depois que as exposições do projeto X-Static Process terminaram, Madonna inspirou-se nas imagens do projeto e decidiu incorporá-las em sua próxima turnê até então não planejada, e pediu para Klein ajuda-la. Ela começou a desenvolver sua sexta digressão, chamada Re-Invention Tour. O pôster promocional da turnê consistia em uma das imagem do projeto artístico. A turnê apresentou Madonna em vestidos típicos do século XVII.[53] O tema central da apresentação foi a unidade contra a violência. Foi dividida em cinco segmentos com diferentes temas: Barroco Francês–O Renascimento de Maria Antonieta, MilitarExército, CircoCabaré, AcústicoTribo Escocesa.[n 13] O projeto X-Static Process serviu como o primeiro vídeo interlúdio dos shows da digressão, e foi misturado com a faixa "The Beast Within". Durante os Prêmios Q, Elton John acusou a cantora de estar utilizando playback nos espetáculos, o que gerou controvérsia; contudo, a assessoria de imprensa de Madonna negou tais alegações.[54] A turnê recebeu aclamação universal da mídia especializada, a qual prezou os figurinos usados pela intérprete nos shows.[55] Embora a digressão tenha sido inicialmente planejada para ser a turnê com maior arrecadação no ano de 2004, a Billboard anunciou que a Re-Invention Tour teve 55 dos 56 shows esgotados, com cerca de 894 mil dos mais de 900 mil ingressos colocados à venda (resultando em 99% de público), arrecadando mais de 120 milhões de dólares.[56] Com isto, tornou-se a digressão com maior arrecadação do ano. Durante os Prêmios Billboard Touring de 2004, a Re-Invention Tour ganhou o trófeu de Maior Turnê, enquanto Caresse Harry — que dirigiu-a — venceu o prêmio de Maior Gerenciador.[57][58] Em 2005 foi liberado um documentário, I'm Going to Tell You a Secret, no qual os eventos mais importantes da digressão são narrados em vídeo.[59]

Antes do lançamento da faixa homônima como a primeira música de trabalho, "Die Another Day" serviu como o primeiro single da trilha sonora do filme de mesmo nome. O tema estreou nas rádios estadunidenses em 9 de outubro de 2002, um dia depois do previsto após ser publicada ilegalmente na Internet.[60] Mais tarde, foram lançados dois discos de vinil contendo cinco remixes da faixa; um CD single também foi comercializado, contendo um remix adicional.[61][62][63] Seu vídeo musical foi dirigido pela equipe sueca Traktor e apresenta a cantora como uma prisioneira numa câmara de tortura. Paralelamente, suas personalidades do bem e do mal lutam esgrima. Conforme a luta se torna mais agressiva, Madonna é mais executada pelos soldados. No final, a personalidade do mal morre com uma flecha e a cantora escapa da execução, fazendo uma metáfora de que o bem sempre vence o mal. Tornou-se o terceiro vídeo musical mais caro da história da música, atrás de "Scream/Childhood", dueto de Michael Jackson e Janet Jackson; e "Judas", de Lady Gaga.[64] Obteve êxito comercial, classificando-se entre as dez canções mais executadas na Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Irlanda e Reino Unido; enquanto liderou as tabelas do Canadá, Espanha, Itália e Romênia.[65] Nos Estados Unidos, converteu-se em um êxito ao atingir a oitava colocação da parada Billboard Hot 100, liderando simultaneamente a tabela de canções dance.[66][67]

A faixa-título foi lançada como o primeiro single de American Life em 8 de abril de 2003. Foi recebida com negativação universal pelos críticos contemporâneos; com isto, a revista Blender nomeou "American Life" como a décima pior canção de todos os tempos.[68] Foram filmados dois vídeos musicais correspondentes a "American Life", ambos dirigidos por Jonas Åkerlund.[69] O primeiro apresenta um desfile "anti-moda" com temática militar; a cantora o invade junto com suas companheiras dentro de um Mini Cooper e atira uma granada de mão no então presidente George W. Bush, interpretado por um sósia. Entretanto, a estreia do vídeo foi interrompida devido a Guerra do Iraque, que acontecia na época da estreia do vídeo musical.[70] Foi substituído por uma segunda versão, que apresenta Madonna interpretando a faixa na frente da bandeira de vários países.[71] Obteve sucesso comercial, classificando-se entre as dez músicas mais executadas na Alemanha, Áustria, Austrália, Bélgica (região Flandres), na Espanha, Finlândia, França e Irlanda, enquanto atingiu o topo das tabelas canadenses, dinamarquesas, italianas, japonesas e suíças.[72] Nos Estados Unidos, converteu-se no êxito ao atingir a trigésima sétima colocação na Billboard Hot 100, enquanto liderou a tabela de canções dance.[66]

"Hollywood" serviu como o terceiro single da obra em 3 de julho de 2003 nas nações europeias, estreando nas rádios estadunidenses cinco dias depois. Seu vídeo musical foi dirigido por Jean-Baptiste Mondino e apresenta Madonna destacando os lados bons e ruins de Hollywood; estas cenas apresentam locais como um salão de dança, um quarto de um motel, uma sala de cirurgia plástica e uma sala de massagem. Após seu lançamento, Samuel Bourdin, filho do pintor Guy Bourdin, entrou com uma ação judicial alegando que a cantora copiou dez pinturas de seu pai, principalmente a que a cantora aparece sentada em cima de uma televisão.[73] Obteve sucesso comercial, listando-se entre as dez faixas mais executadas no Canadá, Espanha, Itália e Reino Unido.[74] Nos Estados Unidos, tornou-se a primeira música de Madonna a não entrar na Billboard Hot 100 desde "Holiday" (1983), ao passo que liderou a tabela dance.[66][67]

"Nothing Fails" foi lançada como o terceiro foco de promoção de American Life em 26 de outubro de 2003. Em 8 de novembro seguinte, foi lançado um disco de vinil para as rádios contendo oito remixes da faixa.[75] Simultaneamente, foi editado um CD single contendo a mesma quantidade de remixes.[76] Ao contrário do que havia sido noticiado por repórteres, "Nothing Fails" não teve um vídeo musical.[77] Comercialmente, qualificou-se entre as dez canções mais executadas na Austrália, Bélgica (região Flandres), Canadá e Itália, liderando as tabelas espanholas.[78] Nos Estados Unidos, tornou-se o segundo single consecutivo do disco a não entrar na Billboard Hot 100; contudo, atingiu a liderança da tabela dance.[67]

"Love Profusion" foi lançada como o quarta e última música de trabalho do projeto em 8 de dezembro de 2003. Posteriormente, foi editado um disco de vinil contendo sete remixes da obra.[79] Seu vídeo musical foi dirigido por Luc Besson e estreou em 11 de fevereiro de 2004 no AOL's Fisrt View. Apresenta Madonna caminhando numa rua, cuja cena é intercalada com a cantora caminhando na areia e na água ao redor de flores e peixes. No final do vídeo, ela é coberta por "fadinhas".[71] Teve um desempenho similar à sua antecessora, classificando-se entre as dez músicas mais executadas no Canadá e Itália, liderando a tabela musical da Espanha.[80] Tal como suas antecessoras, não entrou na Billboard Hot 100. No entanto, sua versão remixada por Thunderpuss liderou a tabela dance.[67]

"Nobody Knows Me" foi lançada como forma promocional nos Estados Unidos em 15 de outubro de 2003. Mais tarde, foram divulgados um maxi single e um vinil com remixes da obra.[81][82] Apesar de não ter sido lançada na Austrália, atingiu a quadragésima nona posição por lá.[83] Por ter sido lançada como single promocional, não entrou na Billboard Hot 100. Entretanto, conseguiu a quarta posição como melhor na tabela dance.[67]

Em geral, American Life deixou os críticos especialistas em música contemporânea divididos. O portal Metacritic, com base em dezessete resenhas recolhidas, concedeu ao disco uma média de sessenta pontos de uma escala que vai até cem, indicando "avaliações mistas ou positivas".[84] Michael Paoletta, avaliador da revista Billboard, observou as diferenças líricas de álbuns anteriores de Madonna, como Ray of Light, e resenhou positivamente American Life, dizendo que a obra "confia menos na introspecção espiritual e mais do confronto do tipo mulher 'diante do espelho'".[41] Ken Tucker, da revista Entertainment Weekly, deu ao disco uma nota de B- e disse que em seu melhor ponto, "o álbum oferece músicas francas, decisivas e inquisitivas, mas o ponto mais fraco no disco é que Madonna soa como uma garota cujos conteúdos cresceram com seu marido e [seus] filhos, bem como a capacidade de contratar ajuda para fazer seu trabalho".[86] Dimitri Ebrlich, da revista Vibe, deu uma crítica positiva para o material e analisou que a cantora parece 'encenada' no álbum, e concluiu dizendo que "esta pode ser a primeira vez em que Madonna não se empurrou para explorar novos caminhos, mas pelo menos [ela] escolheu um bom lugar para descansar".[93] Sal Cinquemani, da revista Slant, atribuiu ao disco três estrelas e meia de cinco permitidas e deu uma revisão mista ao projeto, afirmando que American Life não é uma "obra-prima" em comparação com seu álbum de estúdio de 1992, Erotica. Cinquemani opinou que "[o disco] é frequentemente autoindulgente, equivocado, desagradável, difícil de ouvir, bobo e sem graça, mas também é consistente, firme e sem remorso" e terminou deduzindo que o material representava "a última vez em que Madonna fez música sem ter como objetivo principal, fazer sucesso".[20] Em um comentário anterior, Cinquemani disse que "depois de passar anos entre subgêneros e finalmente encontrar seu nicho na [música] eletrônica, agora ela se mostra uma promissora cantora de folk-rock, e a única coisa que falta [na carreira de Madonna] é criar um álbum inteiramente composto por música rock.[20]

Concedendo ao álbum uma escala de três e estrelas e meia de um total de cinco, Ben Ratliff, da revista Rolling Stone, resumiu que "as mensagens do álbum são sisudas", mas elogiou Madonna por falar sobre a situação então atual da nação estadunidense.[89] Johny Davis, da revista NME, concedeu a obra uma avaliação de sete pontos de uma escala que vai até dez, dizendo que, tecnicamente, o projeto "soa bem, mas no geral, parece uma sequela desnecessária dos trabalhos anteriores da cantora, como Ray of Light e Music".[87] Stephen Thomas Erlewine, crítico musical do banco de dados Allmusic, concedeu ao disco duas estrelas e meia de cinco permitidas e declarou que "American Life era melhor pelo que prometia do que pelo que entregava, e que era melhor na teoria do que na prática".[85] Kelefa Sanneh, da revista Blender, atribuiu ao projeto três estrelas de uma escala de cinco, dizendo que "[o álbum] é desarticulado como Music e muito mais severo. (...) Sem uma história antiga e convincente, suas músicas parecem [serem] diminuídas".[94] Em sua análise para a revista Q, Dorian Lynskey classificou American Life com três estrelas de um total de cinco, dizendo que "'Nothing Fails', a peça central do álbum, é tão boa como a desmancha-prazeres 'Live to Tell'. (...) [mas] não é de se admirar que um disco sobre sentimentos confusos acabe soando confuso".[95]

Jon Pareles, periodista do jornal The New York Times sentiu que a cantora tentou na obra ser honesta com o conceito do sonho americano, mas acabou produzindo canções semelhante ao "folk psicologicamente balbuciante" de compositores como Jewel.[37] James Hannaham, da revista Spin, comparou os temas introspectivos do álbum com os discos anteriores de Madonna, como Ray of Light e Music e também observou que a cantora "passa boa parte de American Life lamentando o vazio da cultura de celebridades".[90] Em uma crítica publicada no jornal The Guardian, Alexis Petridis respondeu bem à partes do disco, resenhando que "as melhores faixas de American Life fazem piada de praticamente toda a música pop atual; contudo, no entanto, na crítica, ele concluiu que a obra carece de boas músicas suficientes para salvar o álbum.[92] Jessica Winter, do The Village Voice, chamou a voz de Madonna de "redundante" e comentou que "ela ironiza o 'sonho americano' só para conquistar pontos com seu marido inglês e articula uma frustração vaga e feroz com sua posição dolorosamente privilegiada nesse mundo".[96] Ed Howard, da revista Stylus, deu ao álbum uma revisão negativa, mencionando que era um álbum "sobre Madonna", em vez da cultura americana, e explicou: "É Madonna que, surpreendentemente, simplesmente ficou sem o que dizer".[91] Finalmente, Ian Young, da BBC, também fez uma crítica negativa, dizendo que "as músicas são brandas e fracas, as letras são sem inspiração e auto-absorvidas e tem o apoio de música semi-Ibiza, que é nua e reciclada, e estamos convencidos de que ela se perdeu".[97]

Em 2004, American Life foi indicado a 46.ª cerimônia dos Prêmios Grammy nas categorias "Melhor Videoclipe de Formato Curto" e "Melhor Gravação Dance", ambas para "Die Another Day".[98] A faixa também foi nomeada na categoria "Melhor Vídeo de um Filme" nos Prêmios MTV Video Music de 2003.[99] Nos Prêmios Hungarian Music de 2004 e 2005, o projeto foi indicado duas vezes nas categorias de "Álbum Internacional Pop do Ano", mas não conquistou nenhuma condecoração.[100][101] O disco também foi indicado em uma categoria similar nos Prêmios NRJ de 2004.[102]

Lista-se abaixo os profissionais envolvidos na elaboração de American Life, de acordo com o encarte do disco:[17]

Todas as canções produzidas por Madonna e Mirwais Ahmadzaï, exceto "I'm So Stupid" e "Nothing Fails", que contam com a produção adicional de Mark "Spike" Stent.

Em sua semana de lançamento, American Life estreou na liderança da tabela Billboard 200 dos Estados Unidos, com 241 mil cópias vendidas.[103] Esses números foram inferiores ao álbum de estúdio anterior de Madonna, Music, que registrou vendas de quatrocentos e vinte mil exemplares em sua semana de estreia, apesar disso, American Life foi o único álbum naquela semana a vender mais de duzentas mil unidades.[104] Foi seu segundo lançamento consecutivo a debutar no pódio e seu quinto a alcançar essa posição no país.[105] Na semana seguinte, as compras do produto diminuíram 62%, para 91 mil cópias, fazendo-o despencar do topo para o oitavo posto da parada.[106] Sua comercialização continuou a regredir até desaparecer da tabela. Em setembro de 2003, após a apresentação da intérprete no Prêmio da MTV de 2003, o disco registrou um aumento de 19% em suas vendas, mas não voltou a aparecer na Billboard 200.[107] Em 7 de julho de 2003, apenas alguns meses após seu lançamento, a Recording Industry Association of America (RIAA) condecorou-o com uma certificação de ouro, significando uma distribuição superior a um milhão de unidades em território americano.[108][109] No entanto, tornou-se o terceiro álbum de estúdio menos vendido do catálogo de Madonna, atrás somente de seu lançamento de 2012, MDNA, e seu lançamento de 2015, Rebel Heart. Até 2012, mais de seiscentas mil unidades do projeto já haviam sido compradas na região de acordo com Nielsen SoundScan.[108][110][111] Obteve a 125ª colocação no ranking dos álbuns que mais venderam em 2003 no país de acordo com a Billboard.[112] No Canadá, debutou no ápice, com vendas de dezoito mil unidades até 10 de maio de 2003. Segundo Nielsen SoundScan, a soma foi consideravelmente menor a seus dois trabalhos anteriores de estúdio — Ray of Light (1998) e Music (2000) — que estrearam com 59 mil e 50 mil cópias comercializadas, respectivamente.[113][114] Foi eventualmente certificado com platina pela Music Canada (MC), pelo excedente de 80 mil exemplares na região.[115]

No Reino Unido, o conjunto debutou no topo de sua tabela oficial de álbuns, com 75 mil cópias distribuídas, número muito inferior a quantia de estreia de Music, em 2000, que estreou com vendas superiores a cem mil unidades.[116][117] Na semana seguinte, a obra foi empurrada para a terceira posição, por Justified de Justin Timberlake e o álbum de The White Stripes, Elephant.[118] Continuou seu movimento decrescente, caindo para o quinto posto em sua terceira atualização e ficou entre os dez primeiros em sua quinta.[119][120] Oscilou na lista por por um total de dezenove semanas, ocupando o número cinquenta e dois na contagem de final de ano do gráfico britânico.[117][121] Até julho de 2008, a gravação já havia sido adquirida mais de trezentas e trinta e cinco mil vezes no território e recebeu uma certificação de platina emitida pela British Phonographic Industry (BPI).[122][123] Em outros países europeus, o conjunto culminou nas tabelas da Áustria, Bélgica (Flandres), Bélgica (Valônia), Dinamarca, França, Itália, Noruega, Suécia e Suíça.[124] A International Federation of the Phonographic Industry (IFPI) concedeu uma certificação de platina a American Life, significando vendas de mais de um milhão de cópias em todo o continente europeu.[125] Foi ainda agraciado com platina em países como França,[126] Grécia,[127] Países Baixos,[128] Rússia[129] e Suíça.[130]

No Japão, listou-se em quarto lugar como melhor na tabela de álbuns semanais da Oricon, permanecendo lá por treze semanas.[131] O trabalho foi classificado como platina pela Recording Industry Association of Japan (RIAJ), por ter comercializado 200 mil réplicas na nação.[132] Na Austrália, o conjunto debutou no terceiro posto, antes de cair rapidamente na tabela de álbuns da ARIA.[133] No entanto, a Australian Recording Industry Association (ARIA), concedeu um certificado de platina ao disco, reconhecendo setenta mil réplicas despachadas no território.[134] Encerrou 2003, como o 12º álbum mais bem sucedido em todo mundo naqule ciclo de acordo com a listagem anualmente publicada pela IFPI.[135] Estimasse que mais de cinco milhões de exemplares da obra tenham sido adquiridas globalmente.[136][137]

*números de vendas baseados somente na certificação
^distribuições baseadas apenas na certificação

Os Ataques de 11 de setembro de 2001 (imagem) influenciaram Madonna a desenvolver o álbum.
"Nothing Fails" começou como uma faixa demo intitulada "Silly Thing", co-escrita pelo produtor musical britânico Guy Sigworth (foto) para sua esposa.
O estúdio Olympic Recording em Londres foi um dos locais onde American Life foi gravado.
Um sintetizador Nord Lead foi usado inicialmente para gravar "Hollywood", mas Ahmadzaï teve problemas com ele
O líder guerrilheiro argentino Che Guevara é considerado a principal inspiração para a capa do disco. A famosa imagem de Guerrilheiro Heroico de Guevara (imagem) foi ressuscitada na capa do álbum.
Em suas aparições para a divulgação de American Life Madonna apareceu publicamente com trajes militares, bem como durante o segundo bloco da turnê Re-Invention Tour em 2004 (foto).
Madonna cantando a quinta faixa do álbum, "Nobody Knows Me", durante o bloco acústico da turnê Re-Invention Tour.
O vídeo musical para o single "Love Profusion" foi dirigido por Joseph Kahn