Apúlia

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Coordenadas: 41° 5' N 16° 30' E

Puglia

Províncias:

A Apúlia[9][1][2] (em italiano: Puglia, AFI[ˈpuʎʎa];[10] em latim: Apulia; em grego clássico: Ἀπουλία; romaniz.: Apoulía) é uma região da Itália meridional com 19 541 km² cuja capital é Bari. Em 2017 tinha 4 049 743 habitantes (densidade: 207,2 hab./km²). É formada pelas províncias de Foggia, Barletta-Andria-Trani, Tarento, Brindisi e Lecce e pela cidade metropolitana de Bari (antiga província de Bari, dissolvida em 2015).

É a região mais oriental de Itália. A sua parte mais a sul, a península de Salento, constitui o chamado "salto da bota italiana". É limitada pela regiões italianas de Molise a noroeste, Campânia a oeste-sudoeste e Basilicata a sul. A leste é banhada pelo mar Jónico e estreito de Otranto, a sul pelo golfo de Tarento (parte do mar Jónico) e a norte pelo mar Adriático. Do outro lado do Adriático e mar Jónico situam-se a Croácia, Bósnia e Herzegovina, Albânia (o cabo de Otranto, o ponto mais oriental da Itália, situa-se a 72 km da costa albanesa), Montenegro e Grécia.

O gentílico em português dos naturais da Apúlia é apuliense[1][2] ou apuliano;[3][4] em italiano é pugliese (pugliesi, no plural).

O nome histórico Apulia é latino e tem origem no grego clássico Ἰαπυγία (Iapygía), que por sua vez tem origem nos iapígios, o povo que em tempos pré-romanos habitou a parte centro-norte da região (os dáunios a norte, os peucécios no centro e os messápios a sul). O prefixo -iap (ou -jap) do termo iapudes (ou japudes) pode indicar que esses povos teriam vindo da outra costa do Adriático. De acordo com uma pseudo-etimologia generalizada, Apulia deriva de Apluvia, que significa "terra sem chuvas".[11]

Durante o período romano a região pertenceu à província de Apúlia e Calábria (Regio II Apulia et Calabria), que não incluía a península do Salento, que só posteriormente passou a ser também considerada parte da Apúlia. O nome italiano Puglia no singular só se generalizou nas últimas décadas; antes da criação das atuais regiões administrativas, na década de 1940, era comum usar-se indiferenciadamente Puglia (no singular) como le Puglie ("as Apúlias", no plural). Por exemplo, desde a unificação de Itália, no século XIX, até 1931, o nome da capital apuliense era Bari delle Puglie.

A Apúlia é uma das regiões arqueologicamente mais ricas da Itália. O povoamento da região remonta a pelo menos 250 000 atrás, o que é atestado pelos restos fósseis do Homem de Altamura, um espécime arcaico de Homo neanderthalensis.[12] Há numerosos vestígios pré-históricos, que incluem menires e dólmens. Por volta do 1.º milénio a.C., os povos dáunios, peucécios e messápios, provavelmente originários da Ilíria estabeleceram-se na região.[13]

Mais tarde surgiram colónias gregas, as primeiras das quais fundadas por micénicos.[14] Durante o período da Magna Grécia, havia numerosas colónias gregas na região, especialmente na parte meridional, nomeadamente a cidade espartana de Taras (atual Tarento).

Durante a Segunda Guerra Samnita (326–304 a.C.), o exército romano sofreu uma pesada derrota na Batalha das Forcas Caudinas (321 a.C.), quando tentava socorrer Lucéria, que estava sitiada pelos samnitas. Roma percebeu rapidamente a importância estratégica da Apúlia, mas a ocupação da região, que só ocorrei no século III a.C., não foi fácil, devido sobretudo à resistência de Tarento e Brundísio (Brindisi). Em 216 a.C. o exército romano sofreu a pior derrota da sua história na batalha de Canas, travada perto da atual cidade de Barletta contra os cartagineses comandados por Aníbal.

Tradução: "Faz fronteira com estes lugares a Lucânia a segunda região, que inclui os Hirpinos, a Calábria e os Salentos ... Os gregos chamaram-lhe Calábria Messápia, do nome do seu comandante e antes disso Peucécia, de Peucécio, o irmão de Enotro, que residia no território de Salento."

A província romana de II Região Apúlia e Calábria foi criada no século III a.C. e incluía Sâmnio e partes do que hoje Molise e Basilicata oriental.[15] A extensão da Via Ápia até Brundísio nesse mesmo século e, mais tarde, durante a era imperial, a construção da Via Trajana, fez prosperar cidades apulienses como Écas (atual Troia), Herdônia (Ordona), Sílvio (Gravina na Apúlia), Canúsio (Canosa di Puglia), Rubos (Ruvo di Puglia) e Botonto (Bitonto). A região era líder na produção de trigo e azeite, tornando-se a maior exportadora de azeite no Oriente.[16]

Após a queda do Império Romano do Ocidente, a Apúlia passou por um longo período de decadência e violência. Muitos povos, como os hérulos liderados por Odoacro, e os ostrogodos, ocuparam alternadamente a região, que acabaria por se tornar uma possessão do Império Bizantino durante a Guerra Gótica (535–554). Bari tornou-se então a capital dum território que se estendia até à atual Basilicata, que era governado pelo catapano da Itália, em cuja designação tem origem o topónimo histórico Capitanata, que designa a parte setentrional da atual Apúlia cujo núcleo é a atual província de Foggia. Na sequência da guerras bizantino-normandas, no século XI a região passou para as mãos dos normandos.

Em 1043 o normando Guilherme Altavila (Braço de Ferro) fundou o Condado da Apúlia, que abarcava a Apúlia central, Gargano, Capitanata, Campânia e Vulture (sub-região do noroeste de Basilicata). O condado deu lugar ao Ducado da Apúlia e Calábria quando o então conde Roberto Guiscardo foi elevado a duque pelo papa Nicolau II, em 1059. Além do território do condado de Guilherme Braço de Ferro, este ducado abrangia praticamente toda a Apúlia e a Calábria. Em 1088, Boemundo de Antioquia, filho de Guiscardo, fundou o Principado de Tarento (1088–1465), a atual Terra de Otranto e tinha capital em Tarento. Este principado durou até 1465.

O Ducado da Apúlia e Calábria foi dissolvido em 1130, quando o duque Rogério de Altavila fundou o Reino da Sicília, do qual fazia parte a Apúlia. No século XIII, o nome Apúlia foi usado por alguns autores para designar toda a parte sul da península Itálica.[17] A última monarca Altavila do Reino da Sicília foi Constança (r. 1194–1198), casada com o sacro-imperador romano-germânico Henrique VI, um suábio da Casa de Hohenstaufen. A partir daí, o trono siciliano passou a ser ocupado pelos Hohenstaufen.

Tanto com os normandos como com os suábios a Apúlia alcançou um grande progresso económico e civil, que teve o seu apogeu com Frederico II (r. 1198–1250), filho de Constança, ao qual se devem vários edifícios religiosos e seculares, entre eles vários castelo, dos quais o mais famoso e de maior valor artístico é o Castel del Monte,[18] em Andria, por vezes chamado a "Coroa da Apúlia".[19]

Após 1282 a Apúlia passou a fazer parte do Reino de Nápoles (por vezes conhecido como Reino da Sicília, devido a este também ter tido Nápoles na sua posse), uma situação que se manteve até à unificação italiana em 1861. O Reino de Nápoles foi independente sob o domínio da Casa capetiana de Anjou, entre 1282 e 1442, quando passou a fazer parte do Reino de Aragão até 1458. Foi novamente independente sob um ramo da Casa de Trastâmara até 1501. Como resultado da Guerra Franco-Espanhola de 1501–1504, Nápoles voltou a estar sob o domínio de Aragão e do Império Espanhol entre 1504 e 1714. O poder dos latifundiários locais começou nesta altura criar raízes.

Quando piratas da Barbária comandados por Dragute Arrais saquearam Vieste em 1554, foram mortas milhares de pessoas (mais de 5 000, segundo algumas fontes)[20] e outras tantas (mais de 7 000, segundo algumas fontes) foram capturadas e posteriormente vendidas como escravas.[21] A costa da Apúlia foi várias vezes ocupada pela República de Veneza[22] e pelo Império Otomano, nomeadamente em 1480–1481, quando Otranto foi tomada durante pouco mais de um ano.[23]

Depois de várias trocas de poderes, em 1734, na sequência da batalha de Bitonto, juntamente com o resto do Reino de Nápoles, a Apúlia passou do domínio dos Habsburgos para o domínio dos Bourbons. Entre 1806 e 1815, durante o período napoleónico, o reino teve monarcas franceses, o que trouxe modernização à Apúlia, com a abolição do feudalismo e reformas judiciais. Em 1815 os Bourbons retomaram o poder e pouco depois fundaram o Reino das Duas Sicílias, unificando definitivamente os reinos de Nápoles e da Sicília.

Em 1820 formaram-se na região vários movimentos liberais, com a difusão da Maçonaria e da Carbonária.[24] Em 1861, a Apúlia passou a fazer parte do então criado Reino de Itália, cuja capital era Turim. Nas palavras do historiador britânico David Gilmour, Turim era tão distante que Otranto estava mais próxima de 17 capitais estrangeiras do que estava da capital italiana.[25] A Apúlia foi então dividida administrativamente nas províncias de Foggia, Bari e Lecce. No século XX foram criadas as províncias de Brindisi e de Tarento. No período que se seguiu à unificação da Itália, surgiram várias quadrilhas de brigantes que ficaram famosos, entre os quais se destacaram Michele Caruso, Antonio Ângelo Del Sambro e Giuseppe Schiavone, este último tenente leal do capobrigante (chefe de bandidos) Lucan Carmine Crocco.

A gradual decadência do latifúndio foi acompanhada pela decadência das antigas masserie apulienses, herdades agrícolas de extensão média. Durante o fascismo, foram recuperadas grandes extensões de terras agrícolas e, após a reforma agrária do pós-guerra, a região registou um forte desenvolvimento agrícola. Nos anos 1970 e 1980, a economia passou a depender mais do setor terciário do que do setor primário, devido ao notável desenvolvimento do turismo.

Em 1946, durante os trabalhos da assembleia constituinte foi feita um proposta para tornar a Apúlia e Salento duas regiões distintas. Na sequência dum relatório do então deputado salentino Giuseppe Codacci Pisanelli, em 17 de dezembro de 1946, foi criada no papel a Região do Salento, mas quando o texto da ratificação das regiões foi votado, em 29 de novembro de 1947, tal região não era mencionada. O deputado socialista Vito Mario Stampacchia declarou na assembleia que a Região do Salento tinha sido sacrificada num acordo feito entre os democratas-cristãos e os comunistas para defender os fortes interesses económicos de Bari. O principal arquiteto desse acordo foi o salentino Aldo Moro. As funções da Região da Apúlia, embora já definidas, só foram implementadas em 1970.

Em 2004 foi criada uma nova província apuliense, Barletta-Andria-Trani, com dez comunas que pertenciam às províncias de Bari e de Foggia e com a capital partilhada entre as três cidades que lhe dão o nome. A província tornou-se completamente operacional com as eleições provinciais de 2009.

A costa marítima da Apúlia é mais extensa do que qualquer das outras regiões continentais italianas. Extende-se ao longo de 865 km, desde o promontório de Gargano, a norte, até á área árida do Salento.[26] Na região há dois parques nacionais: o da Alta Múrgia, com 680,8 km² e sede em Gravina in Puglia; e o do Gargano, com 1 211,2 km².[27]

A costa alterna entre trechos rochosos, com falésias, como em Gargano, e praias de areia, como no golfo de Tarento. Em 2010, o ministério da saúde italiano considerava que 98% da costa apuliense era adequada para banhos.[28] Fora das áreas dos parques nacionais, nas partes norte e ocidental, a maior parte da Apúlia é bastante plana, especialmente o Salento, apenas com algumas colinas baixas. Geograficamente, a Apúlia está dividida em oito sub-regiões: Gargano, Subapenino Dauno (montes da Daunia), Tavoliere delle Puglie (tradução aproximada: planalto ou meseta da Apúlia), Múrgia (ou Murge), Terra de Bari e Vale de Itria, Arco Jónico Tarentino e Serras Salentinas.

O Gargano e o Subapenino Dauno são as únicas áreas verdadeiramente montanhosas da Apúlia, com cumes cuja altitude ultrapassa os 1 000–1 100 metros. Com 4 810 km² de área,[29] a Tavoliere delle Puglie é a maior planície italiana a seguir à planície Padana.[30] A Múrgia é um planalto calcário situado a sul do Tavoliere que se estende até ao Salento.[31] A Terra de Bari, entre a Múrgia e o mar Adriático é plana, com terrenos ligeiramente ondulados em algumas partes. O vale de Itria, situado entre as províncias de Bari, Brindisi e Tarento, caracteriza-se por uma alternância entre vales e colinas ondulantes; o povoamento é muito disperso e é a área onde se encontram mais trulli, as construções tradicionais apulienses com telhados cónicos.[32] o Arco Iónico Tarantino estende-se ao longo de toda a costa da província de Tarento, desde a Múrgia, a norte, até ao Salento, a sul, abrangendo uma zona montanhosa e uma larga faixa costeira plana entrecortada por gravinas.[nt 1] [33][34]

A região inclui também os arquipélagos das Tremiti, situado no Adriático, a nordeste da costa do Gargano, e das Cheradi, perto de Tarento, além da pequena ilha de Santo André, ao largo de Gallipoli, no mar Jónico. Em termos geográficos, o pequeno arquipélago de Palagruža (em italiano: Pelagosa), situado a nordeste das Tremiti e pertencente à Croácia, também faz parte da Apúlia.

A maior parte do território da Apúlia (53%) é plano; 45% é acidentado (com colinas) e apenas 2% é montanhoso, o que faz da região a menos montanhosa da Itália. As montanhas mais altas encontram-se no Subapenino Dauno, na parte noroeste, na fronteira com a Campânia, cujo cume mais alto é o monte Cornacchia (1 152 m), e no promontório do Gargano, na parte nordeste, cujo cume mais alto é o monte Calvo (1 055 m). Outras montanhas relativamente altas do Gargano são os montes Spigno, Vernone, Sacro e Caccia.

Os territórios de colinas encontram-se nas sub-regiões de Múrgia e de Salento. A sub-região de Múrgia é um extenso planalto cárstico de forma aproximadamente retangular que constitui grande parte das províncias de Bari e de Barletta-Andria-Trani. Estende-se para ocidente, até à província de Matera, em Basilicata. Para sul vai até às províncias de Tarento e de Brindisi. Está dividida na Alta Múrgia e na Baixa Múrgia. A primeira é a parte mais alta e rochosa, onde predominam os bosques mistos e a vegetação é muito pobre. Na Baixa Múrgia a terra é mais fértil e está em grande parte coberta por olivais. As Serras Salentinas são uma área montanhosa situada na metade meridional da província de Lecce.

As áreas de planície são o Tavoliere delle Puglie, que ocupa praticamente metade da sub-região histórica da Capitanata, o Tavoliere salentino, um vasto conjunto de terras baixas no Salento, que abrangem grande parte da província de Brindisi (a piana brindisina), toda a parte norte da província de Lecce, a parte sul da província de Tarento e a faixa costeira da Terra de Bari, entre a Múrgia e o mar Adriático, que vai desde a foz do rio Ofanto (Barletta) até Fasano.

Do ponto de vista geológico, praticamente 80% da Apúlia é composta por rochas calcárias e dolomíticas em todas as suas variedades.[35] No Jurássico Médio e Inferior aquilo que é hoje a Apúlia era constituído por ilhas e falésias submersas pelo oceano Tétis e pelos mares epicontinentais formados pela fragmentação de Pangeia. Os depósitos progressivos no leito marinho das conchas de microorganismos marinhos que se formaram subtraindo o carbonato de cálcio da água, formaram camadas de rochas sedimentares calcárias e dolomíticas, muitas delas com várias centenas de metros de espessura. Essas camadas podem ter sido formadas não só devido à duração do processo de sedimentação, que durou cerca de 125 milhões de anos, mas também devido à progressiva subsidência.[36]

No Cretáceo, uma boa parte da Apúlia estava acima do nível do mar, embora a região fosse um arquipélago. Nesse período começaram os primeiros fenómenos cársticos. No Paleoceno, uma série de intrusões subvulcânicas criou a Punta delle Pietre nere ("ponta das pedras negras"), perto de Marina di Lesina, as únicas rochas magmáticas que afloram na Apúlia.

Entre 12 e 2 milhões de anos atrás, os Apeninos tomaram a sua forma definitiva.[37] A Apúlia não esteve diretamente envolvida no processo de criação dessa cordilheira, sofrendo apenas os seus efeitos secundários. Na orogénese dos Apeninos, a Apúlia representa o antepaís, isto é, a massa continental que atua como um obstáculo ao impulso orogenético proveniente doutra massa. Neste período forma-s também a chamada fossa bradânica e o processo de sedimentação provoca a fromação de calcário macio, nomeadamente tufo. Há dez mil anos ficaram concluídos o Tavoliere com os lagos de Lesina e de Varano.[36]

A natureza cárstica da maior parte do território de Apúlia e a escassez de chuva fazem com que a região tenha poucos cursos de água superficiais. À exceção dos rios Ofanto e e do Fortore, que têm apenas parte do seu curso na Apúlia, os rios apulienses têm cursos curtos e são de natureza torrencial, como é o caso do Candelaro, Cervaro e Carapelle.

Os lagos naturais da região são todos costeiros, separados o mar Adriático por faixas de areia estreitas. Os maiores são os de Lesina e de Varano, na costa norte do Gargano. Na comuna de Manfredónia existe a área protegida do lago Salso, uma zona húmida alimentada pela água doce do Cervaro. As salinas de Margherita di Savoia são o que resta do antigo lago de Salpi, atestado no período romano. Mais a sul, perto de Otranto, encontram-se os lagos Alimini.

A primeira albufeira artificial construída na Apúlia foi o lago Occhito, no rio Fortore, perto da fronteira com a região de Molise, com o objetivo de enfrentar as frequentes faltas de água da região. Perto de Brindisi encontra-se a barragem de Cillarese, construída em 1980, cuja albufeira é atualmente uma área protegida. Outra albufeira artificial, mais recente é o lago Locone, criado por uma barragem na ribeira Locone, afluente do Ofanto, situada na comuna de Minervino Murge, junto à fronteira com a regiao de Basilicata.

O clima da Apúlia é tipicamente mediterrânico.[38] No verão, a região é das regiões mais quentes e secas da Itália. As zonas litorais e planas têm verões quentes, ventosos e secos, enquanto que os invernos são geralmente amenos e chuvosos. A precipitação, concentrada no fim do outono e no inverno, é escassa. Todavia, no Subapennino Dauno, Gargano e Alta Múrgia os verões são frescos e durante o inverno não é raro cair neve e haver nevoeiros noturnos, por vezes persistente. A neve é mais frequente principalmente no planalto de Múrgia, quando a região é atingida por frente frias vindas de leste. Os valores médios da precipitação situam-se entre os 450 e os 650 mm por ano; um pouco mais no Gargano e Subapennino Dauno, onde a precipitação média anual atinge os 800 mm.[39] No outono e no inverno é frequente haver névoas matinais e noturnas na Capitanata e na Múrgia.

Segundo os dados recolhidos pelas dez estações meteorológicas da Apúlia, em média as temperaturas mínimas em janeiro vão desde 1,3 °C em Monte Sant'Angelo a 7,5 °C em Santa Maria de Leuca, enquanto que as máximas variam entre 24 °C em Monte Sant'Angelo e 30,6 °C em Foggia. Nesta cidade e em Lecce não é raro a temperatura atingir 40 °C no verão. A amplitude térmica anual é muito elevada principalmente nas planícies do interior — no Tavoliere chega a variar entre 40 °C no verão e -2 °C no inverno.

As áreas costeiras, principalmente no Adriático e no sul do Salento são frequentemente expostas a ventos de diversas intensidades e direções, que afetam fortemente a temperatura do ar e outras condições climatéricas, por vezes num mesmo dia. O vento norte Bora do Adriático pode baixar as temperaturas e humidade, amenizando o calor estival, enquanto que o Siroco, vindo do Norte de África tem o efeito contrário, além de por vezes trazer poeira vermelha do Sara. Em alguns dias de primavera e outono pode fazer calor suficiente para tomar banho no mar em Gallipoli e Porto Cesareo, no extremo sul, na costa do mar Jónico, enquanto que ao mesmo tempo, ventos frios obrigam ao uso de agasalhos em Monopoli e Otranto, na costa adriática.

Dentre os fenómenos meteorológicos extremos mais recentes cabe mencionar a incomum onda de alta pressão africana de 2007, que provocou temperaturas bastante acimo de 40 °C, com picos de 48 °C em Bari e Foggia. Em dezembro do mesmo ano foram registada temperaturas particularmente baixas, com quedas de neve de cerca de 10 cm, inclusivamente na costa.[carece de fontes?] Em 1976, um tornado de intensidade F3, com ventos de aproximadamente 260 km/h, fustigou Sava, causando chuva muito intensa que juntamente com os ventos causaram enormes estragos.[40][41]

Com 4 049 743 de habitantes em 2017,[6] a Apúlia é a oitava região da Itália em população.[42] Em 2017, a densidade populacional da região (densidade: 207,2 hab./km²) era ligeiramente superior à média nacional (201,1 hab./km²).[6]

Em 2001, a população da Apúlia era das mais jovens entre as regiões italianas. Os habitantes com menos de 25 anos representavam 31,2% da população, quando a média nacional era 25,8%. Os habitantes com mais de 65 anos representavam 15,4% da população, quando a média nacional era 18,2%.[43]

A emigração das áreas mais deprimidas da Apúlia para o norte de Itália e outros países europeus foi muito intenso entre 1956 e 1971. Depois disso o fluxo diminuiu, à medida que as condições económicas foram melhorando, a ponto do saldo migratório ser nulo entre 1982 e 1985. A partir de 1986 e pelo menos até 2000, a estagnação na oferta de emprego levou a uma nova inversão, não tanto devido à saída de residentes, mas sobretudo devido à diminuição da imigração.[43]

Na Apúlia são faladas várias línguas e dialetos, os quais são classificados em dois grupos fundamentais, claramente distinguíveis sobretudo do ponto de vista fonético:[46]

O dialeto tarentino e os doutras cidades ao longo do eixo TarentoOstuni podem ser classificados como dialetos de transição apulo-salentinos (entre os dois grupos acima referidos).

A região tem ainda a peculiaridade de ter alguns enclaves linguísticos onde se falam idiomas que não são românicos:

A região administrativa da Apúlia foi criada após a unificação de Itália, juntando três circunscrições do Reino das Duas Sicílias, predecessor do então criado Reino de Itália:

Durante os trabalhos da Assembleia Constituinte da República Italiana, em 1946/1947, chegou a estar previsto criar duas regiões distintas — a Apúlia e o Salento — o que não chegou a concretizar-se (ver secção "História").

Em junho de 2018, o presidente da Junta Regional da Apúlia era Michele Emiliano, do Partido Democrático, no cargo desde 1 de junho de 2015. Anteriormente, a Apúlia era sempre dominada por centristas ou de coligações de direita. Em janeiro de 2015 foi criada a cidade metropolitana de Bari, que substituiu a província de Bari.

Juridicamente, a região atual foi criada em 1 de janeiro de 1948 pela constituição italiana, mas as suas funções só foram implementadas pela lei n.º 281 de 1970.

Segundo o website oficial da Região da Apúlia, o brasão da região consiste num Escudo encimado por uma coroa "fredericana" (dedicada a Frederico II da Suábia, sacro-imperador romano-germânico). Por cima do escudo há seis círculos que representam as seis províncias da Apúlia. O corpo central é composto por um octógono com uma oliveira no centro, símbolo de paz e fraternidade. O octógono representa o Castel del Monte, um castelo medieval que é um dos locais turístico-culturais mais sugestivos da região.[51]

A presença da oliveira no brasão é uma referência ao azeite de alta qualidade produzido na Apúlia, um dos recursos mais importantes da agricultura da região e um elemento constante na sua paisagem. Por outro lado, é um símbolo da unidade da região.[carece de fontes?]

Desde pelo menos a década de 2000 que a Apúlia estabeleceu numerosas e importantes relações com os países dos Bálcãs.[52][53] A Albânia é parceira comercial da Apúlia há muitos anos[54] e há numerosas iniciativas conjuntas com esse e outros países balcânicos, nomeadamente por ocasião da realização anual da Fiera del Levante (Feira do Levante) em Bari.[55] Têm sido desenvolvidos diversos programas de cooperação não só económica mas também cultural.[56] Alguns desses programas são financiados pelo programa Interreg da União Europeia (UE),[57] um dos mecanismos da política de coesão, que foi criado para intensificar a cooperação transfronteiriça entre regiões situadas nas fronteiras e externas da UE.[58]

Outros programas importantes estão ligados ao corredor pan-europeu VIII, o eixo europeu de transportes que ligará a Apúlia à Albânia e ao mar Negro através dos portos de Bari e de Brindisi.[59]

A contribuição da região para o valor acrescentado bruto da Itália foi de cerca de 4,6% em 2000, enquanto a sua população foi de 7% do total. O PIB per capita é baixo em comparação com a média nacional e representa cerca de 68,1% da média da UE.[60] Estima-se que existam 50 a 60 milhões de oliveiras na Apúlia, e a região é responsável por 40% da produção de azeite da Itália. A região possui indústrias especializadas em áreas específicas, incluindo processamento de alimentos e veículos em Foggia; calçado e têxteis na área de Barletta e móveis na área de Murge, a oeste.[61] Entre 2007 e 2013, a economia da Apúlia expandiu-se mais do que a do sul da Itália.[62] Esse crescimento, ao longo de várias décadas, é um sério desafio para o sistema hidrológico.[63]

As infraestruturas de transportes são melhores na zona norte da Apúlia do que na zona sul (províncias de Lecce, Brindisi e Tarento) e em áreas do interior das províncias de Foggia e de Bari). A rede rodoviária cobre toda a região de forma eficaz, mas o mesmo não acontece com rede ferroviária, que deixa bastante a desejar, principalmente no sul.[64]

As linhas ferroviárias da Apúlia exploradas diretamente pela companhia estatal Ferrovie dello Stato são as seguintes:

As ligações com a Campânia e a Basilicata são asseguradas pela Ferrovia Napoli-Foggia e pela Ferrovia Foggia-Potenza. A duplicação da linha da primeira, com 194 km e que faz parte do prolongamento do corredor pan-europeu VIII da RTE-T, decorre desde a década de 1990. Está planeado que integre a futura linha de alta velocidade Bari-Foggia-Caserta. A linha Foggia-Potenza, com 119 km, é de via única e não está eletrificada. O serviço na Ferrovia Avelino-Rocchetta Sant'Antonio foi encerrado em 2010 e desde então a linha, com 119 km, só é usada ocasionalmente como ferrovia turística.

As ligações à Calábria e ao sul da Basilicata são asseguradas pela Ferrovia Jonica, que vai de Tarento até Régio da Calábria, ao longo de 472 km. É de via única na sua maior parte e parcialmente eletrificada, entre Tarento e Sibari (na comuna de Cassano all'Ionio da Calábria), e um troço suburbano de Régio da Calábria.

Na Apúlia, as redes ferroviárias exploradas por empresas privadas, algumas sejam detidas a 100% pelo Estado, são mais extensas do que as redes estatais. Há muitos anos, em alguns casos por mais de um século, que quatro empresas operam na região:

Os principais aeroportos da Apúlia são os de Bari e de Brindisi. Os quatro aeroportos da região com serviços comerciais públicos de passageiros são administrados pela sociedade anónima Aeroporti di Puglia.

Na Apúlia existem também as seguintes bases aéreas:

Em 2014, estavam inscritos nos estabelecimentos de ensino da Apúlia 759 592 alunos,[68] o que representava 18,6% da população.[69] No mesmo ano, os estudantes do ensino superior representavam 2,5% da população e havia na região 58 343 professores dos ensinos infantil, básico e secundário contratados por escolas públicas.[68]

A região é muito ativa do ponto de vista desportivo. Em todas as comunas existem instalações desportivas e há alguns clubes com relevância nacional e internacional.

Os dois principais estádios da Apúlia são o San Nicola de Bari e o Via del Mare de Lecce. O primeiro tem capacidade para 58 270 espectadores, é da autoria deo arquiteto Renzo Piano e foi construído para o Campeonato do Mundo de 1990. Em 1997 foi dotado duma pista de atletismo para os Jogos do Mediterrâneo de 1997, realizados em Bari. O Estádio Via del Mare foi inaugurado em 1966; embora a lotação inicial fosse 40 670 espectadores, desde 2016 que só tem 19 202 lugares homologados, depois de durante vários anos só ter 14 287 lugares.

O Estádio da Vitória de Bari foi inaugurado em 1934. Tem capacidade para 40 000 espectadores e seis pistas de atletismo. Desde 1990 que é usado sobretudo para jogos de râguebi, futebol americano e concertos. Foi remodelado em 1997. O estádio Erasmo Iacovone, de Tarento, foi inaugurado em 1965, com lotação para 30 450 espectadores. Após ter sido remodelado em 1985, a capacidade foi reduzida para 26 884 lugares, dos quais só 12 154 estão homologados. O Estádio Pino Zaccheria de Foggia foi inaugurado em 1925 e várias vezes remodelado, a última delas em 2017. Tem 25 085 lugares, dos quais 17 368 homologados.

O Estádio Lello Simeone de Barletta dispõe dum velódromo de cimento com 333,3 metros de perímetro e dum campo de futebol de terra batida. Foi construído nos anos 1930 e além de eventos de ciclismo e de futebol é usado para partidas de râguebi e de futebol americano. Há pelo menos mais quatro velódromos na região, mas só o Lello Simeone está em condições de ser usado.[77][78][79]

Na Apúlia há dois hipódromos (o Paulo VI em Tarento e o "dei Sauri" (dos alazões) em Castelluccio dei Sauri), dois autódromos (o do Levante em Binetto, usado sobretudo para motociclismo, e o Circuito de Nardò, uma pista de testes que desde 2012 é propriedade da Porsche).

As equipas de futebol profissional da Apúlia em 2018 eram as seguintes:

Outros clubes apulienses com alguma importância são, por exemplo, o A.C.D. Nardò, o U.S.D. San Severo, o U.S.D. Audace Cerignola, o U.S.D. Città di Fasano e Associazione Calcio Dilettantistica Ars et Labor Grottaglie.

A Associazione Sportiva Dilettantistica Pink Sport Time, fundada em 2001 em Bari, jogou na Série A (1.ª divisão) nas temporadas 2014–2015 e 2017–2018 (10.ª&nbs;lugar). Outras equipas de alguma relevância são o Salento Women e o Apulia Trani. A Alaska Gelati Lecce, um clube de Veglie existente entre 1970 e 1984, ganhou o campeonato nacional italiano em 1981, 1982 e 1983 e a Taça de Itália em 1981 e 1982. O Trani 80, fundado em 1979 e dissolvido em 1988, ganhou o campeonato nacional italiano em 1984, 1985 e 1986 e a Taça de Itália em 1983.

O clube de hóquei em patins AFP Giovinazzo, fundado em 1968, durante a maior parte da sua história jogou na Série A1 (1.ª divisão italiana), tendo estado várias vezes nos primeiros lugares dessa divisão e na Taça de Itália entre o final da década de 1970 e meados da década de 1980. Na época 2017–2018 ficou em último lugar da Série A1, onde estava desde 2007.

O clube de basquetebol masculino New Basket Brindisi tem disputado a 1.ª divisão desde 2010. O clube de basquetebol feminino Taranto Cras Basket ganhou quatro campeonatos nacionais (2003, 2009, 2010 e 2012), duas Taças de Itália (2003 e 2012), três Supertaças (2003, 2010 e 2011); ficou em segundo lugar na Eurocup de 2009. Desde 2013 que só participa em campeonatos juvenis devido a problemas financeiros. A equipa de basquetebol em cadeira de rodas Dream Team Taranto jogou entre 2002 e 2010, tendo ganho um campeonato nacional, um taça e uma supertaça.

Sobretudo desde o início da década de 2000 que três clubes apulienses se destacam no andebol italiano. O Handball Club Conversano joga na 1.ª divisão desde 1980 praticamente sem interrupção e desde 2002 que é uma das equipas italianas com mais sucesso desportivo, tendo ganho seis campeonatos nacionais, cinco taças, três supertaças e três handball trophy. O Handball Casarano tem no seu palmarés três vitórias no campeonato nacional, duas taças e duas supertaças. O Pallamano Junior Fasano ganhou três vezes o campeonato nacional, três taças e uma supertaça. O Pallamano Noci é outro clube da 1.ª divisão nacional e o Pallamano Altamura tem oscilado entre a 1.ª e a 2.ª divisões nacionais. No andebol feminino destaca-se o Amatori Handball Conversano, Campeão nacional em 2015 e 2016.

O New Mater Volley de Castellana Grotte já foi campeão da segunda divisão nacional de voleibol em 2012 e terminou a época de 2017–2018 no 14.º lugar da 1.ª divisão. Outro clube de vólei apuliense extinto em 2010 que jogou na 1.ª divisão foi o Prisma Volley de Tarento. A equipa de vólei feminino Amatori Volley Bari, que no início da década de 2010 jogava na série D regional, ganhou o campeonato italiano em 1979, a Taça de Itália em 1988 e a Taça Challenge em 1984.

Rali do Salento — É uma prova automobilística que se realiza anualmente em junho nas estradas da província de Lecce, que conta para o Campeonato Italiano de Rali.[80][81]

Reconstituição da prova Milão-Tarento — A Milão-Tarento foi um prova de motociclismo de estrada que se realizou entre 1937 e 1940 e de 1950 a 1956. Desde 1987 que é revivida anualmente em julho com motos antigas.[82]

Taça Fasano-Selva — É uma corrida de montanha que se realiza anualmente em agosto num percurso com 5,6 km em curvas fechadas da estrada 172 na comuna de Fasano.[83][84]

Taça Messapica — É uma prova de ciclismo que se realiza em agosto desde 1952 num circuito parcialmente urbano na comuna Ceglie Messapica.[85]


Vaso messápio do século VI ou V a.C. no Museu Sigismondo Castromediano de Lecce
Castelo de Otranto
Gravura do porto de Bari no século XIX
Principais subregiões geográficas das Apúlia
Um arco natural nas falésias calcárias da costa do Gargano, na comuna de Vieste
Esquema altimétrico da Apúlia
A gravina[nt 1] de Gravina in Puglia, no Parque Nacional da Alta Múrgia
Vista aérea dos lagos Alimini, situados a norte do estreito de Otranto, a área mais a sudeste da Itália
Alberobello coberta de neve em 28 de abril de 2000
Giovinazzo em julho, com a Concatedral de Santa Maria da Assunção ao centro
Panorâmica da planície Tavoliere delle Puglie
Panorâmica de Bari
Sede em Cellino San Marco, Apúlia
Mapa das principais autoestradas da Itália com as que passam na Apúlia a verde escuro
Estação ferroviária de Brindisi
Estação de Tarento
Comboio ATR-220 fabricado pela empresa polaca Pesa Atribo das Ferrovie del Sud Est em Alberobello
Estação de Trani
Zona portuária de Bari
Porto antigo de Monopoli
Àrea de check-in do Aeroporto de Bari-Palese
Aeroporto de Brindisi-Casale
O Palácio Ateneu (Palazzo Ateneo), sede da Universidade de Bari
Estádio San Nicola de Bari
O estádio Via del Mare de Lecce durante um dérbi regional US LecceF.C. Bari
Estádio da Vitória, em Bari
Prova de remo em Bari
Kitesurf em Bari